Em entrevista com Jacó Izidro de Moura, professor do Oswald desde 1995, mapeamos o trabalho de Física no Oswald e como ele está integrado a um currículo que valoriza as ciências, a investigação e a pesquisa científica. Atualmente, são marcos do contato com a área no Oswald: a Oficina de Ciência para os alunos do 5º ano do Ensino Fundamental I, a disciplina de Física no Ensino Médio e a disciplina eletiva de Teses “Física e Tecnologia Moderna”, para o 2º ano do Ensino Médio.

Os temas “Teoria da Relatividade” e “Introdução à Física Quântica” são debatidos na disciplina eletiva de Teses e também no último trimestre do 3º ano do Ensino Médio. A decisão da escola de abordar esses temas é muito clara: são teorias do século XX que revolucionaram o estudo da Física e, a esta altura do século XXI, elas não podem ser ignoradas por estudantes de qualquer área de ensino. “Apesar de possuírem uma matemática avançada – não no caso da Relatividade Restrita, mas, sim, a Geral e a Física Quântica -, é possível e bastante produtivo para os alunos abordar esses temas por meio de uma análise conceitual. A grande importância é que esses assuntos abordam uma quebra de paradigma fundamental dentro da história da Física e da Ciência de forma geral”, defende Jacó.

 

 

Essas importantes teorias trazem aos alunos do Oswald um novo modo de enxergar o mundo e conceber conceitos fundamentais, como tempo, espaço e energia. As discussões técnicas efilosóficas que surgem com a abordagem desses assuntos são muito ricas e permitem trabalhos diferenciados. O professor também contextualiza que “hoje em dia está mais fácil abordar esses temas porque finalmente estão aparecendo na literatura e nos filmes, começando a fazer parte integrante do universo dos alunos. É um tema inquietante e que desperta muito interesse: questões como a viagem no tempo, o Big Bang, a antimatéria, universos paralelos e muitos outros”.

Outro facilitador para tratar esses assuntos é o investimento do Oswald na interdisciplinaridade. Áreas como Física, Química e Biologia obviamente possuem uma forte relação entre si, pois fazem parte das Ciências Naturais, mas, geralmente, são tratadas apenas de forma segmentada. No Oswald, o currículo procura derrubar essas barreiras e tratar os temas em perspectivas integradas, como o trabalho com energia nuclear, desenvolvido no 3º ano do Ensino Médio, por meio de pontos de vistas de três frentes: Geografia, Geopolítica, História.

Nessa perspectiva integrada das ciências, são desenvolvidos no cotidiano do Oswald trabalhos que não fazem parte necessariamente do planejamento dessas áreas, mas que trabalham questões da metodologia científica, como a pesquisa, o planejamento de experimentos, a coleta dos dados, a apresentação de resultados em gráficos e tabelas. O professor Jacó, por exemplo, integra uma interessante experiência no currículo do Ensino Fundamental: a disciplina Oficina da Ciência, oferecida do 5º ao 7º ano: “Essa disciplina faz um trabalho bem diferenciado com a Ciência, procurando abordar o ensino por investigação, ou seja, também procurando cuidar mais do fazer científico do que do conteúdo especificamente. Claro que o conteúdo sempre faz parte, mas como meio, e não como fim”. No ensino por investigação, o aluno precisa planejar cada etapa do experimento e nem sempre sabe onde irá chegar, “é uma aula bastante experimental, mas não se trata de uma aula convencional de laboratório, na qual se procura a confirmação da teoria. A ideia é partir de um problema, questão ou fenômeno e investigá-lo, propondo diferentes experimentos para sustentar uma tese”, conclui Jacó.

Este texto foi construído a partir da colaboração do educador Jacó Izidro de Moura, professor de Física e da eletiva “Física e Tecnologia Moderna” para Ensino Médio, e de Oficina da Ciência no Ensino Fundamental I.