Construindo o futuro também para adultos

O Projeto Girassol é focado na formação de jovens e adultos em situação de vulnerabilidade que moram ou trabalham no entorno da escola. Nessa rápida entrevista, Roseany Anetelle Rodrigues  conta um pouco sobre o envolvimento de educadores, alunos e familiares na condução do projeto.

1 – Quando surgiu o Projeto Girassol e qual o objetivo da escola ao cria-lo? Quantas pessoas já passaram pelo projeto nesse período?

O Projeto Girassol está fazendo dez anos! A ideia surgiu de um grupo de quatro professoras da antiga escola Caravelas, que se uniu ao Oswald em 2000. Eu sou uma das quatro. E hoje sou a única que permanece na escola e trabalhando no projeto; as outras, aposentaram-se. Fizemos essa proposta à Teresa Cappi, diretora do Caravelas na época, antes da fusão das escolas. E durante anos fomos amadurecendo a ideia. Acreditávamos – e ainda acreditamos – que uma escola como a nossa, com a filosofia que tem, com as bandeiras que levanta, preocupada com a sociedade e com os caminhos dela, precisava ter um trabalho efetivo voltado para o social.

Assim, em 2007, tivemos o aval definitivo da escola para iniciar o projeto. Ele é um programa voluntário, com educadores da própria escola, e que conta, muitas vezes, com alunos do Ensino Médio e ex-alunos como monitores. O objetivo é envolver o maior número de pessoas da nossa comunidade. Até dois anos atrás, ele não era aberto para familiares de alunos, mas, como houve uma procura significativa deles, resolvemos abrir. E a experiência está sendo muito rica! Os alunos passaram a ter aulas de Economia, de Filosofia, de Música. Tudo devido à participação de pais. Cada um traz o seu melhor para o projeto. Acho que, por isso, para todos que estão envolvidos nele, direta e indiretamente, ele é tão especial! Já passaram muitos profissionais, alunos e ex-alunos por aqui nesse tempo.

2) Ao seu ver, qual o impacto que esse projeto traz de mais significativo na vida das pessoas que participam?

Na minha visão, para os alunos participantes os resultados vão além do “estudar”. Penso que o projeto passou a ser, também, um espaço de convívio muito enriquecedor para todos. Percebemos o quanto esse trabalho mexe com a autoestima deles, o quanto passam a sentir-se como parte da sociedade. A princípio, a ideia era “alfabetizar”. Estando alfabetizados, eles teriam indicação para complementar os estudos em escolas regulares – EJA (educação de jovens e adultos) – já que o nosso curso não é regulamentado. Mas o que houve é que fomos recebendo alunos de diversas faixas etárias, sem o interesse específico de “ter um diploma” e não querendo ir embora. Queriam continuar na escola, aprender, estudar, somente pelo prazer do conhecimento. Isso fez com que eles criassem laços e permanecessem na escola. Temos alunos que estão conosco há 7 anos! Penso que o leque de opções que tentamos dar para eles é atraente. Como não temos obrigações legais de carga horária e currículo, montamos o curso em cima de projetos de interesse e necessidade deles. Isso é muito produtivo! Neste ano, por exemplo, eles estão com aulas de Português, Matemática, Artes Plásticas, Filosofia, Biblioteca, Economia, Yôga, Música e Ciências, além de algumas saídas a campo que fazemos. Por exemplo: tivemos a oportunidade de levá-los a um circo, a um musical, espetáculos que muitos vivenciaram aqui pela primeira vez. Isso é impagável!

3) Quais as evoluções que o projeto já viveu ao longo do tempo e como você imagina que esse projeto pode evoluir nos próximos anos?

Justamente por não termos essas obrigações legais, o nosso curso é muito dinâmico. Estamos sempre inovando, mudando, adequando aos interesses deles. Nesse sentido, penso que ele está sempre evoluindo. E o nosso grande desafio, como temos alunos que permanecem com a gente por anos, é trazer sempre novos desafios e novos projetos para que possamos ajudá-los na busca de novos conhecimentos. Neste ano, por exemplo, em cima do assunto “Identidade”, que é o tema eleito para 2017, todas as áreas estão com o foco voltado para esse assunto. O produto final desse projeto será um livro com as autobiografias, autorretratos, linha do tempo e produções artísticas deles. E claro que gostaria de, no futuro, ampliar essa experiência para mais pessoas. No momento, temos 17 alunos, mas poderíamos, com a estrutura de hoje, atender mais 10. E, mais além, quem sabe, poderemos ampliar a estrutura para termos mais de um grupo.

Este conteúdo foi construído a partir da colaboração da educadora Roseany Anetelle Rodrigues, Assistente de Direção Pedagógica de Educação Infantil e Fundamental I, que está no colégio há 23 anos e lidera um dos principais projetos do Oswald voltado à comunidade externa.