Projeto Derivas é o nome dado ao Estudo do Meio do 2º ano do Ensino Médio, que tem forte apelo nas artes e cuja ideia é ampliar a compreensão dos alunos acerca da cidade de São Paulo. O nome “Derivas” se dá por conta da Teoria da Deriva Geográfica: a deriva é um procedimento de estudo psicogeográfico – teorizado por Guy Debord – que propõe que, partindo de um lugar comum para a pessoa ou grupo, deve-se rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos. Ou seja, os alunos do Oswald são orientados, no Estudo do Meio que se debruça sobre a cidade de São Paulo, à flanar ou deixar-se levar por determinadas zonas psíquicas a fim de relacionar-se com o meio urbano.

“Pensar por que motivo dobramos à direita e não seguimos retos, por que paramos em tal praça e não em outra, quais as condições que nos levaram a descansar na margem esquerda e não na direita… Enfim, pensar que determinadas zonas psíquicas nos conduzem e nos trazem sentimentos agradáveis ou não”, orienta o professor responsável por esta proposta de Estudo do Meio do 2º ano do Ensino Médio, Amadeu Cardoso, que traz esta perspectiva teórica de trabalho para o currículo do Oswald já há cinco anos. O Estudo do Meio é composto por três saídas realizadas ao longo do ano pelas turmas: Deriva nas regiões do Brás, Glicério e Liberdade; na região do Centro Antigo, e na região de Santo Amaro e Vila Olímpia. Esta última Deriva traz aos alunos a proximidade com o tema da “Cidade Global e Metrópole Informacional” e aproximando-os de uma visão de cidade que se desenvolve olhando para a globalização. “É uma saída também de contraponto: porque começamos por Sto. Amaro, buscando uma referencia de uma cidade que não pertencia à São Paulo, que vai ser conurbado no começo do séc. XX, mostrando mais uma vez as contradições de um bairro de cunho popular, com uma centralidade voltada ao uso do ônibus, etc. Ou seja, é um estudo que contrapõe dois aspectos: olhar para a cidade de São Paulo global e a proximidade da cidade global com outras realidades que estão presentes”.

O Projeto Derivas, também se dá de forma multidisciplinar e interlinguagens, integrando as disciplinas de Geografia, História, Artes Visuais, Música e Dança. Os alunos se atentam não apenas à geografia da cidade, mas devem fazer uma “leitura da cidade a partir de ferramentas de cunho criativo”, define o professor Amadeu. Ou seja, após o mergulho em diferentes territórios e intercâmbio entre as pessoas que habitam estes territórios, os alunos são convidados a produzir trabalhos artísticos que versem, em diferentes linguagens, sobre suas experiências. A partir destas produções, como ensaios fotográficos, paisagens sonoras e video-danças, a turma de 2º ano do Ensino Médio constrói coletivamente uma exposição que integra a Mostra Cultural do Oswald.

Este texto foi desenvolvido a partir da contribuição do educador Amadeu Cardoso, professor de Geografia e Projetos de Intervenção no Ensino Médio.