O  projeto de Educação Física no Ensino Fundamental I do Oswald tem como conceito básico a linguagem corporal, na qual as crianças são estimuladas a pensar o corpo como um brinquedo e a atitude do brincante com excelência. As aulas do professor Patrício Casco, que trabalha na escola há 23 anos, desenvolvem o espírito lúdico e, a partir disso, trazem as crianças para uma experiência de cultura corporal. Essa cultura começa com as brincadeiras infantis, de roda, por exemplo, e vai se desenvolvendo para a expressão corporal e os jogos esportivos. O trabalho é feito com o objetivo de manter – e por vezes resgatar – o espírito lúdico das crianças, que passam a perceber que o  jogo pode e deve ser entendido como brincadeira.

No 1º ano do Ensino Fundamental I, as disciplinas de Educação Física e Expressão Corporal trabalham em intersecção, pensando as brincadeiras e atividades que a professora Janaína Peresan desenvolve em parceria com o aprendizado de atividades corporais mais complexas – presentes nos jogos de Educação Física -, completando um ciclo de aprendizagem física, corporal e psicológica.

Outro exemplo de transdiciplinaridade são as atividades que trazem para o trabalho de Educação Física os desafios de esquematização e sistematização apreendidos em sala de aula, no processo de alfabetização, no início do Ensino Fundamental. Patrício define que “seria um desperdício não aproveitar isso. Trabalhamos com as crianças a atenção aos objetivos do jogo, ao símbolo daquele jogo, às regras como gênero literário, e essa intersecção de aprendizados vai aumentando com o passar dos anos, colocando os jogos no patamar de manifestações culturais tradicionais”. Esse trabalho de esquematização culmina, ao final do 3º ano, na produção de um livro com as descrições e regras de um determinado jogo esportivo.

No 4º ano, essa esquematização de jogos extravasa e extrapola os domínios dos jogos esportivos. As crianças passam a criar um jogo em sala de aula e só depois a atividade é transferida para a quadra, trabalhando sua capacidade criativa e organizativa. “Quando colocam em prática esse projeto, as crianças criam jogos em que se sintam bem, mas também encaram como desafio criar algo que seja divertido, mas factível. Muitas vezes, o ‘laboratório explode’, como gosto de brincar, quando um jogo programado pelas crianças não funciona bem ao ser colocado em prática. Mas isso acontece pouco e, mesmo quando acontece, o aprendizado é enorme”.

Este texto foi construído a partir da colaboração do educador Patrício Casco, professor de Educação Física no Ensino Fundamental I, desde 1995.