O percurso que os alunos de Música seguem no Oswald a partir do 6º ano do Ensino Fundamental II prevê que voltem ao início, como se não tivessem conhecimento musical estruturado. Ainda no 6º e 7º ano, aprendem o sistema métrico musical, timbre, ruído, e fecham o ciclo com a elaboração de uma peça de percussão. A partir de então, passam por composição, ensaio e apresentação. São esses os trabalhos apresentados no MosCOW, a Mostra de Composições do Oswald, criada em 2016. Participam alunos de 6º, 7º e 8º anos do Ensino Fundamental II, mas estudantes do 1º e 3º ano do Médio também podem participar. Alunos do 2º ano do Médio, muito por conta do projeto Derivas*, partem para propostas mais performáticas que, ao final, são usadas na Mostra Cultural.

As iniciativas Serão e Musicália existem há mais tempo na escola. O Serão já existe há 32 anos. Quando Alex, professor de Música, assumiu as aulas, o festival era uma mostra de bandas da comunidade – incluindo pais, alunos e funcionários – que estava desconectado das premissas da área de Música, do trabalho curricular da escola. Há três anos, trabalha na tentativa de mudar esse cenário, proporcionando mais espaço para trabalhos autorais e música instrumental, buscando aumentar o diálogo com o trabalho de música desenvolvido dentro da escola. É importante lembrar que o aluno do Oswald tem que aprender a manipular a linguagem musical a partir de dois aspectos: criação e escuta – como ouvir e criar ferramentas de identificação e capacidade de reflexão sobre aquilo que a indústria oferece. Ao mesmo tempo, existe um cuidado para o gosto e o repertório pessoal e familiar.

Neste ano, implementou-se outro diferencial: um convite aos alunos interessados em trabalhar na área técnica de shows, abrindo espaço para que os jovens trabalhem operando o som e a luz do festival. Os professores entendem como um movimento muito genuíno, pois notam interesse dos alunos nessas áreas de produção.

Já o Musicália, organizado pelo grêmio estudantil, é um evento dos alunos, no qual os professores não têm participação na seleção do repertório e que acontece no mesmo dia do MosCOW. É um evento bonito e interessante para perceber o envolvimento e a participação dos alunos, uma vez que todos se mostram muito incentivadores e parceiros uns dos outros. O festival não tem o mesmo rigor de apresentação do Serão, por exemplo, o limite entre músico e plateia é significantemente menor e o clima mais informal, deixando os alunos mais à vontade.  Ainda assim, não deixa de ser – de fato – um festival, no sentido literal e original do termo, além de um momento importante, quando os alunos entendem que os professores também são público.

Este texto foi construído a partir da colaboração de dois educadores do Colégio Oswald de Andrade, em uma conversa sobre o papel das artes visuais e da música no projeto do Oswald. Alex Buck, professor de Música do 8º ano do Fundamental II até o Ensino Médio; e Marcel Youssef Hamed, professor de Artes Visuais do Ensino Médio.