Os Estudos do Meio nasceram como estratégia pedagógica nos cursos universitários, um método de ensino interdisciplinar que visa proporcionar aos alunos e professores o contato direto com determinada realidade – um meio qualquer, rural ou urbano – que se decida estudar.

Essa atividade pedagógica se concretiza pela imersão orientada na complexidade de um determinado espaço geográfico, pelo estabelecimento de um diálogo inteligente com o mundo, com o intuito de verificar e produzir novos conhecimentos e vivências para os alunos. O Oswald foi uma das primeiras escolas de ensino básico a trazer essa experiência acadêmica para os alunos, ainda na década de 1980. Hoje, a escola conta com empresas parceiras, agências especializadas em turismo educacional e Estudos do Meio para o desenvolvimento dos programas.

O Oswald procura sempre mostrar aos alunos a diferença entre um passeio e o Trabalho de Campo, que tem uma abordagem didática, pedagógica e, naturalmente, interdisciplinar. Trazer a prática da academia para o ensino básico sem que fosse aplicada a partir da interdisciplinaridade não faria sentido, uma vez que, postas na realidade, as disciplinas abordadas estão o tempo todo em diálogo.

Nas viagens de pré-estudo já são mobilizados diversos professores de áreas envolvidas que, juntos, desenham as primeiras ideias de projetos a serem desenvolvidos pelas turmas. O Oswald tem se preocupado, nos últimos anos, em trazer o mundo para dentro da escola, assim como investido na prática do Estudo de Meio para levar os estudos da escola para o mundo.

Um dos maiores desafios desse tipo de trabalho é sempre lidar com o tempo. Os estudos são imersões em um tema e as pesquisas feitas em campo são muito potentes no sentido da aprendizagem. Porém, a quantidade de informação coletada é muito grande e, às vezes, o processo de construção do conhecimento acaba fragmentado pela falta de tempo, mas a equipe pedagógica persiste encarando esses desafios, uma vez que a solução do problema não necessariamente existe no modelo de escola atual.

O Estudo do Meio do 9º ano do Ensino Fundamental II é um dos mais antigos, em recorte estudado, do currículo do Oswald: os alunos visitam uma siderúrgica e uma usina nuclear. Existe uma parte de pesquisa científica, mas são poucas as atividades práticas no local.

Os assuntos de energia nuclear, por exemplo, são muito teóricos e áridos na sala de aula; entretanto, quando o aluno entra em contato com as pessoas que trabalham na usina nuclear e que trazem a realidade de um contexto geopolítico para aquele assunto que parecia tão específico, há a proposição de novas dimensões para o conteúdo estudado, como questões específicas da área de Química, que se desdobram em debates de interesses internacionais. A consequência dessa experiência, para o aluno, é muito transformadora, fazendo-o viver experiências extraclasse fundamentais para a absorção de conceitos e aplicações na sua realidade.

Este texto foi desenvolvido a partir da contribuição de três educadores do Oswald, que se reuniram em uma roda de conversa para contar os objetivos e a importância das experiências de trabalhos de campo e estudos do meio. Fernando Pimentel, coordenador pedagógico do 3º a 5º ano do Fundamental I; Ricardo Santoro, professor de Ciências de 8º e 9º e Biologia do 1º EM, e Vania de Andrade Luz, professora de Matemática de 8º e 9º ano e do 1º ano do Ensino Médio.