Escrita x oralidade

A transformação das formas de comunicação no universo digital também trouxe enormes mudanças nas relações com gêneros escritos e a oralidade. Uma comunicação digital, que não é mais pautada por um diálogo presencial, não tem mais os mesmos contornos de espaço e tempo que uma conversa ao vivo, e estas novas formas de marcar a oralidade nos discursos e se relacionar com a língua escrita desenvolvem novos aprendizados no cotidiano escolar. O crescente interesse dos alunos por novas linguagens que permitam também um relacionamento com a oralidade levou o colégio a oferecer novos recursos tecnológicos que dessem conta dos novos anseios de comunicação dos jovens.

O Oswald observa, nos últimos anos, um desejo crescente dos alunos na produção de vídeos, por exemplo. A partir daí, essa linguagem infiltrou-se na sala de aula e passou a fazer parte do currículo, tanto em momentos exclusivos (como a Oficina de Audiovisual para Web, para o Ensino Fundamental II, e disciplina de Artes Visuais, no Ensino Médio) quanto como ferramentas de comunicação de processos de aprendizagem. Práticas como os correspondentes nos Estudos do Meio, em que um grupo de alunos é responsável por gravar e reportar a experiência vivida, aproximam os alunos de recursos tecnológicos que são fundamentais para essa comunicação, desde a pesquisa de imagens até uma plataforma de compartilhamento de conteúdo, como um blog. Através do uso desses recursos, qualquer um pode ser produtor de conteúdo atualmente; por isso, é também responsabilidade da escola significar essas ferramentas, preocupando-se sempre em formar leitores críticos e produtores sensíveis e atentos à realidade à sua volta.

 

O uso de uma plataforma como o Google, utilizada no colégio para troca de informações entre alunos e professores, já é uma prática saudável consolidada na rotina escolar, em que os educadores podem fazer o papel de mediadores, orientando o uso da ferramenta e da comunicação apropriada para esse ambiente. A presença do educador, do professor, é muito importante no entendimento e na construção do conteúdo, alinhando-se à perspectiva oswaldiana com o cuidado na formação de alunos autores. Diversos outros projetos também exercitam o contato de crianças e jovens com recursos de produção de conteúdo aliados à tecnologia, como a rádio Da Boca pra Fora, blogs de projetos específicos na disciplina de Inglês, scrapbooks e revistas digitais, como a Nó Na Palavra, produzida coletivamente pelo 9º ano. O Oswald compreende que existe a tecnologia necessária para produzir os conteúdos e também para comunicá-los, mas o importante é que, em nenhum dos casos, a tecnologia seja vista como o objeto em si, mas, sim, entendida como uma oferta de nossas possibilidades comunicativas.

Este texto foi desenvolvido a partir da contribuição de três educadores do Oswald, em uma roda de conversa sobre a cidadania digital e o uso das novas tecnologias na educação.

Adriana Elisabeth Dias, coordenadora pedagógica dos 6º e 7º anos; Carolina Gil, coordenadora de tecnologia educacional do Ensino Infantil ao Médio, e Harlei Alberto Florentino, diretor geral do Oswald.